Dr. Jonas BernardesNeurologista Agendar consulta

Creatina pura e selo Creapure: o que a Anvisa achou nos rótulos

A Anvisa analisou 41 creatinas vendidas no Brasil. O pó estava certo em 40, o rótulo estava errado em 40. Entenda o resultado e veja a lista oficial.

Mãos girando um pote branco de suplemento para ler o painel de informações na parte de trás, com dosador de inox e um pouco de pó branco sobre a bancada

A Anvisa resolveu olhar dentro dos potes de creatina vendidos no Brasil, 41 suplementos de 29 fabricantes diferentes, e encontrou o oposto do que o mercado andava dizendo. O pó estava certo. Apenas um dos 41 produtos tinha teor abaixo do previsto. O que estava errado, em 40 dos 41, era o rótulo.1

Se você está com o pote na mão, se perguntando se comprou creatina de verdade, esse é o retrato mais atual e mais confiável que existe hoje no país. E ele não é o que circula nas redes.

Como a Anvisa fez essa análise

O método importa aqui, porque é ele que dá o tamanho dos resultados.

A agência selecionou as creatinas mais vendidas do país, a maioria em embalagens de 300 gramas, e coletou as amostras no segundo semestre de 2024. Cada produto foi testado em triplicata, seguindo o rito de análise fiscal da Lei 6.437 de 1977, no laboratório do INCQS, da Fiocruz. As amostras vieram do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, os estados que concentram o mercado.1

Mediram três coisas. O teor de creatina, a adequação do rótulo e a presença de matérias estranhas.

Um detalhe do método pede atenção. A coleta aconteceu nas empresas fabricantes, não na prateleira. A única exceção foi o Rio de Janeiro, onde a vigilância sanitária estadual comprou no varejo.1 Amostrar na fábrica não é a mesma coisa que amostrar o pote que chega até você, num mercado cheio de marca própria e de distribuidor.

O teor estava certo

O achado principal desmonta a expectativa geral.

Dos 41 produtos, apenas um tinha teor de creatina abaixo do previsto no regulamento. Nenhum outro apresentou variação suficiente para caracterizar infração sanitária.1 Para estar adequado, o teor não pode variar mais de 20% em relação ao que o rótulo declara, além de atender o valor de referência do nutriente, que é de 3.000 mg.1

A pesquisa por matérias estranhas também foi satisfatória. Todas as marcas passaram nesse quesito sem problemas.1

A conclusão da própria agência foi que os resultados encontrados “não representam risco de dano à saúde dos consumidores que exija ações adicionais de fiscalização”.1

E o único produto com erro de teor? A marca não foi divulgada, porque está em processo administrativo de apuração.1

O problema é o rótulo, e ele é quase geral

Aqui o quadro se inverte: 40 dos 41 produtos traziam alguma incorreção de rotulagem.1

Os erros mais comuns que a Anvisa listou:1

  • Alegações não previstas: o rótulo atribuindo à creatina propriedades que não são autorizadas, inclusive com frases em língua estrangeira.
  • Palavras ou imagens que induzem o consumidor a uma informação incorreta ou insuficiente.
  • Tabela nutricional fora do padrão e fora do mesmo painel da lista de ingredientes.
  • Frequência de consumo não declarada.
  • Número de porções da embalagem não declarado na tabela nutricional.
  • Tabela sem as quantidades de açúcares totais e adicionados.

Isso não é implicância burocrática. O rótulo é o único documento que viaja com o produto até a sua casa. É dele que você tira a dose, a frequência e o que aquilo promete fazer. Quando 40 de 41 erram em algum ponto, a informação que chega ao consumidor está sistematicamente comprometida, mesmo com o pó certo dentro do pote.

As incorreções podem gerar notificação aos fabricantes. E há um prazo em jogo. Pela RDC 843/2024 e pela IN 281/2024, desde 1º de setembro de 2025 todos os suplementos já no mercado precisam estar regularizados na agência.1

A lista dos 41 produtos analisados

A Anvisa publicou a relação completa do que foi analisado, e eu a reproduzo abaixo. A data vai no cabeçalho porque um levantamento como este é um retrato de um momento.

Análise divulgada em abril de 2025, com coleta realizada no segundo semestre de 2024.1

MarcaProdutoFabricante/importador
DARKLABPURE CREATINEBIOGHEN NUTRITION
IRIDIUM LABSCREATINA FUELPRIMER LAB. DE DESENVOLVIMENTO E FABRICAÇÃO DE SUPLEMENTO ALIMENTAR LTDA.
MAX TITANIUMCREATINESUPLEY LAB. DE ALIMENTOS E SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
PROBIÓTICACREATINA MONOHIDRATADASUPLEY LAB. DE ALIMENTOS E SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
PROBIÓTICACREATINA CAPS MONOHIDRATADASUPLEY LAB. DE ALIMENTOS E SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
CANIBALCREATINY MONOHYDRATEMAKERPRO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES LTDA.
MAX TITANIUMCREATINE MONOHIDRATADA (caps)SUPLEY LAB. DE ALIMENTOS E SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
Body Nutry SuplementosCREATINE 100% PURA - MICRONIZADA - MONOHIDRATADASUPPLEMENT LABS LTDA.
Body Nutry SuplementosCREATINE 100% PURA - MICRONIZADA - MONOHIDRATADASUPPLEMENT LABS LTDA.
PRO HEALTHYCREATINE MICRONIZED - 100% PURE ULTRA-CONCETRATED POWDERPRO HEALTHY LABORATÓRIOS LTDA.
ATLHETICA - NUTRITIONCREATINE MONOHYDRATE - 100% PUREADS LABORATÓRIO NUTRICIONAL LTDA.
IRIDIUM LABSATLAS CREATINAPRIMER LABORATORIO DE DESENVOLVIMENTO E FABRICACAO DE SUPLEMENTO ALIMENTAR LTDA
SYNTHE SIZECREATINE POWDER MONOHYDRATESYNTHESIZE NUTRICAO HUMANA LTDA
Body Shape NutritionCREATINE ENERGY MONOHIDRATADA E MICRONIZADASILVANT ALIMENTOS LTDA.
BLACK SKULLCREATINE HARDCORE PURE MONOHYDRATEGDS GROW DIETARY SUPPLEMENTS DO BRASIL S/A
CREAPURECREAFORT 100% PURAVIDA FORTE NUTRIENTES IND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS NATURAIS LTDA.
MF MusclefullMUSCLE FULL 100% PURAW. O. PERAN LTDA
BULKCREATINA MONOHIDRATADA 100% PURABIOGHEN SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS
FTWCreatina UltraFITOWAY LABORATÓRIO NUTRICIONAL LTDA.
BODYACTIONCreatine Dual PowerRAINHA LABORATÓRIO NUTRACÊUTICO LTDA.
BODYACTIONCreatine Double ForceRAINHA LABORATÓRIO NUTRACÊUTICO LTDA.
DARKNESSCreatine Muscle EnergyBRG SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
INTEGRALMEDICACreatina HardcoreBRG SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
INTEGRALMEDICACreatina Hardcore (caps)BRG SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
NutrifyCreatine MonohidratadaBRG SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS LTDA.
Eat Clean ProCreatina Monohidratada VeganoMB FOODS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA.
UNIVERSALCreatine MonohydrateCR NUTRITION SUPLEMENTOS-EIRELI.
SOLDIERS NUTRITIONCreatina 100% pura monohidratada e micronizadaSDN COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA.
ESSENTIAL NUTRITIONCREALIFTINP INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA.
MUSCLETECHCREATINETotalmix Indústria e Comércio Ltda.
NatusvitaNATURE & PURE CREATINA MONOHIDRATADA MICRONIZADANatusvita Indústria de Suplementos Nutricionais Ltda.
CREAPURECREATINA MONOHIDRATADAGrowth Supplements
NutrataCREATIN UP MONOHIDRATADAMMC INDÚSTRIA DE PRODUTOS NUTRICIONAIS LTDA.
ELEMENTOPUROSUPLEMENTO ALIMENTAR DE CREATINA EM PÓ - CREADOPGSG NUTRIÇÃO LTDA.
True SourceCREATINE 100% PUREMELCOPROL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS NATURAIS LTDA.
Shark ProCreatina Monohidratada 3gRCA LABS LTDA.
OPTIMUM NUTRITIONCREATINE POWDERImportador: SAVIXX COMÉRCIO INTERNATIONAL S/A Fabricante: OPTIMUM NUTRITION INC - EUA
New MillenCreatina MonohidratadaNEW MILLEN PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.
Vitamax NutritionCreatina BoosterBRAZIL NUTRITION SUPLEMENTOS ALIMENTARES LTDA.
3VSCREATINE POWER PÓABE AMERICA IMPORTADORA, EXPORTADORA, COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES LTDA.
3VSPURE CREATINEABE AMERICA IMPORTADORA, EXPORTADORA, COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES LTDA.

Antes de sair procurando a sua marca, um aviso sobre como ler esta tabela: ela lista o que foi analisado, não um ranking. Um único produto teve resultado satisfatório em todos os ensaios. Todos os demais tiveram alguma incorreção de rotulagem.1 Não vou eleger vencedor aqui, porque “passou no rótulo” não é o mesmo que “é a melhor creatina”, e transformar um resultado de conformidade em recomendação de compra seria distorcer o que o dado diz. Quem quiser o detalhe produto a produto encontra na fonte, linkada nas referências.

Por que os laudos do setor diziam outra coisa

Se você acompanhou o assunto, viu manchetes sobre marcas reprovadas e potes sem creatina nenhuma. Aquilo existiu. E a distância entre os dois retratos tem uma explicação, dada pela própria Anvisa.

O levantamento mais divulgado veio da Abenutri, a associação das empresas do setor, em outubro de 2024: 18 produtos reprovados por teor, dez deles sem creatina detectável.2 Duas coisas precisam ser ditas sobre ele. A primeira é a proveniência, um programa de automonitoramento da própria indústria, não uma fiscalização sanitária. A segunda é o histórico judicial, com resultados de empresas retirados da publicação por decisão da Justiça.2 Por isso cito o número e não reproduzo a lista de marcas.

O lado acadêmico conta uma história parecida, do mesmo período. Um estudo da Food Chemistry usou cromatografia líquida para avaliar 149 amostras compradas no Brasil entre julho e dezembro de 2023 e encontrou 117 amostras puras e 32 adulteradas.3 Em Manaus, outro levantamento testou 20 marcas vendidas como “100% puras”: um quarto delas estava fora do teor declarado e três não continham creatina nenhuma.4 Uma terceira análise, de seis amostras de e-commerce, reprovou duas no teor e encontrou erros no rótulo em 83% dos casos.5

Só que esses estudos refletem o cenário de 2023 ou antes, e a coleta da Anvisa ocorreu em 2024. A agência foi direta sobre a divergência: os novos resultados mostram “um cenário diferente daquele encontrado em levantamentos do próprio setor produtivo, em períodos anteriores”. Segundo a Anvisa, essa diferença “pode indicar uma autorregulação do mercado entre as análises feitas no período de 2022 a 2024”.1

A leitura correta, portanto, não é que um dos lados mentiu. O problema de teor parece ter sido corrigido ao longo desses anos, provavelmente porque os fabricantes ajustaram os processos depois da exposição pública. O defeito que persistiu foi na rotulagem.

O que cada selo certifica, e o que nenhum certifica

A dúvida sempre termina nos selos, então é preciso separar o que cada coisa significa.

Creapure é marca de matéria-prima, não uma forma química diferente de creatina. É creatina monoidratada produzida por um fabricante específico de insumo. A própria tabela da Anvisa deixa isso visível: “CREAPURE” aparece como marca de produtos de duas empresas diferentes. O nome identifica o insumo, não o produto acabado.1

Selo de qualidade de processo não é laudo do seu pote. Certificações do tipo ISO ou FSSC atestam processo e planta industrial. Falam de como a fábrica opera, não do conteúdo do frasco que você comprou.

E nenhum selo, de nenhum tipo, certifica eficácia. Selo fala de identidade, pureza, teor ou processo. Nenhum deles diz que o produto vai funcionar para você.

Resta uma confusão frequente, a da pureza. Os números que aparecem em textos e anúncios, com limites para creatinina, dicianodiamida e di-hidrotriazina, não são limite regulatório de nenhuma agência. São a especificação do próprio fabricante do insumo mais conhecido do mercado, apresentada ao FDA americano em uma notificação de segurança.6 Chamar isso de “limite da Anvisa” ou “limite da EFSA” é repetir material de marketing como se fosse norma. Sobre a relevância toxicológica desses contaminantes de síntese, aliás, a literatura permanece escassa: a medição de mercado publicada mais citada é de 2011 e encontrou creatinina acima de 100 mg/kg em 44% das amostras testadas.7

O que dá para fazer com o pote na mão

Medir teor de creatina em casa, ninguém consegue, e a avaliação honesta começa reconhecendo esse limite. Mas o levantamento da Anvisa aponta o caminho. O defeito principal está justamente no rótulo, e rótulo você consegue conferir.

  • Leia a lista de ingredientes. Creatina monoidratada pura tem um ingrediente. Quanto mais coisa entra ali, mais você paga por algo que não é creatina.
  • Desconfie de promessa no rótulo. Alegações de efeitos não autorizadas representam um dos erros mais comuns encontrados, e o mais fácil de perceber.1
  • Confira se a tabela nutricional traz porção, número de porções e frequência de consumo. A ausência dessas informações foi um achado recorrente. Sem elas, você não sabe quantas doses o pote entrega.
  • Guarde o lote e a validade. Sem lote não há como rastrear nada, nem para você nem para a vigilância.
  • Preço não é laudo. Nem barato significa falsificado, nem caro significa testado.

E o passo que resolve mais do que qualquer inspeção de rótulo vem antes de todos esses: saber se você precisa tomar creatina, e para quê. É a pergunta que costuma ficar para trás quando a conversa começa no pote.

O que eu vejo no consultório

Depois que saiu na imprensa aquela lista de creatinas reprovadas, a pergunta mudou no consultório. Antes me perguntavam se creatina fazia mal. Passaram a me perguntar se a creatina delas era de verdade.

A cena que mais se repete é a pessoa chegando com o pote na bolsa e me mostrando o rótulo, querendo que eu diga se aquilo ali presta. E eu preciso ser honesto sobre o que consigo e o que não consigo: olhando o pote, eu não tenho como saber o teor. Ninguém tem. Isso se resolve em laboratório, não no consultório nem na prateleira.

O que eu consigo fazer é ler o rótulo com a pessoa, e é aí que quase sempre aparece alguma coisa. Promessa que suplemento não pode fazer, frase em inglês que não quer dizer nada, informação nutricional em lugar errado, dose que não bate com o que ela está tomando.

Também ouço muito a conta do medo: a pessoa deixou de comprar a mais barata porque achou que barata é falsificada, e foi para a mais cara achando que preço garante alguma coisa. Preço não é laudo.

E existe a parte que eu acho mais importante, porque muda a conversa: uma boa parte das pessoas que me trazem essa dúvida está tomando creatina sem nunca ter perguntado se precisa tomar. A pergunta chega no pote, e o que estava faltando era a pergunta anterior.

Quando conversar com o médico

Procure orientação antes de começar se você tem doença renal já diagnosticada, se usa medicação de uso contínuo, se está grávida ou amamentando, ou se tem transtorno bipolar.

E se você já toma creatina e vai fazer exame de sangue de rotina, avise quem pediu o exame. A creatina eleva a creatinina do resultado sem que o rim tenha piorado, e isso já levou pacientes a serem investigados à toa.

Se você quer saber se faz sentido tomar creatina no seu caso, antes de decidir qual pote comprar, me chame no WhatsApp.

Como saber se a minha creatina é pura?

Olhando o pote, não dá. Teor de creatina se mede em laboratório, com cromatografia, e nenhum teste caseiro substitui isso. O que dá para conferir é o rótulo, e foi justamente nele que a Anvisa achou o problema: 40 dos 41 produtos analisados tinham alguma incorreção de rotulagem, enquanto o teor estava adequado em 40 deles.1 Confira a lista de ingredientes, a tabela nutricional completa, o número de porções e o lote.

Existe creatina falsificada no Brasil?

Já houve achados assim, mas o retrato mais recente é melhor do que a fama. Levantamentos de 2023 e anteriores encontraram amostras adulteradas e até produtos sem creatina nenhuma.24 Já na análise da Anvisa, com coleta em 2024, apenas um dos 41 produtos tinha teor abaixo do previsto.1 A própria agência levanta a hipótese de que o mercado tenha se ajustado entre 2022 e 2024 depois da exposição pública.1

Creapure é melhor que creatina monoidratada?

A pergunta parte de uma confusão comum. Creapure não é uma forma química diferente: é marca de uma matéria-prima de creatina monoidratada, produzida por um fabricante específico de insumo. Tanto é assim que, na lista da Anvisa, “Creapure” aparece como marca de produtos de duas empresas diferentes.1 Comprar um insumo certificado diz respeito à pureza declarada daquele insumo, não a uma vantagem clínica sobre outra monoidratada.

Os selos de qualidade garantem que o suplemento funciona?

Não. Selos falam de identidade, pureza, teor ou processo de fabricação, cada um cobrindo uma coisa diferente. Certificações do tipo ISO ou FSSC, por exemplo, atestam processo e planta industrial, não o conteúdo do frasco que você comprou. E nenhum selo, de nenhum tipo, certifica eficácia clínica.

Aqueles limites de pureza da creatina são da Anvisa ou da EFSA?

De nenhuma das duas. Os números de pureza que circulam em textos e anúncios, com limites para creatinina, dicianodiamida e di-hidrotriazina, são a especificação do próprio fabricante do insumo mais conhecido do mercado, apresentada ao FDA americano numa notificação de segurança alimentar.6 Chamar isso de limite regulatório é repetir material de marketing como se fosse norma.

Creatina mais cara é mais confiável?

Preço não é laudo. Na análise da Anvisa, o problema encontrado foi de rotulagem e atingiu quase todos os produtos analisados, de faixas de preço variadas.1 Procure rótulo completo e lista de ingredientes limpa, não o valor da etiqueta.

Onde vejo a lista completa das creatinas analisadas pela Anvisa?

A relação está reproduzida neste texto e a fonte original está nas referências, na página da própria Anvisa.1 É um retrato de um momento: a coleta foi feita no segundo semestre de 2024 e a divulgação em abril de 2025.


Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Nenhuma informação aqui é prescrição nem recomendação de compra de qualquer produto: a citação de marcas se restringe à reprodução de um levantamento oficial e público. Qualquer uso de creatina deve ser avaliado com o seu médico.

Referências

  1. Anvisa. Creatinas: Anvisa divulga resultados de análise em suplementos. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 23/04/2025 (atualizado em 25/04/2025). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/creatinas-anvisa-divulga-resultados-de-analise-em-suplementos 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

  2. Abenutri. 2024 — Análise Creatinas, Programa de Automonitoramento (PAM). Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais, 10/10/2024. https://www.abenutri.org/2024-analise-creatinas-programa-de-automonitoramento/ 2 3

  3. Oliveira TF, Santos GR, de Jesus JC, Coqueiro JS, Silva RR, Ferrão SPB, et al. Assessing the authenticity of the sport supplement creatine using spectroscopic techniques and multivariate analysis. Food Chemistry. 2025. https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2025.144282 2

  4. Farias Lima LG, De Oliveira Gonçalves Sátiro PP, Dos Santos Magalhães IR. Content of creatine monohydrate in dietary supplements acquired in Manaus, Brazil. Revista Colombiana de Ciencias Químico-Farmacéuticas. 2026. https://doi.org/10.15446/rcciquifa.v55n2.121948 2

  5. Benedito da Silva Cardoso F, Alves Dantas CE, Batista de Azevedo MG, Pereira de Souza JB. Qualidade dos suplementos de creatina: um estudo baseado na análise do teor e da rotulagem. Vigilância Sanitária em Debate. 2024. https://doi.org/10.22239/2317-269X.02269

  6. US Food and Drug Administration. GRAS Notice Inventory (GRN No. 931, creatina monoidratada). https://www.fda.gov/food/generally-recognized-safe-gras/gras-notice-inventory 2

  7. Moret S, Prevarin A, Tubaro F. Levels of creatine, organic contaminants and heavy metals in creatine dietary supplements. Food Chemistry. 2011. https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2010.12.028

Dr. Jonas Bernardes

Dr. Jonas Bernardes

Neurologia Clínica · CRM-SP 150216 · RQE 108175

Neurologista em Jaú/SP, dedicado ao diagnóstico e tratamento das doenças do sistema nervoso. Escreve para traduzir o que a neurologia sabe em decisões práticas de saúde. Atende presencialmente e por teleconsulta.

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