Você chegou aqui querendo o nome de um remédio. Eu sei, e a pergunta é legítima. Mas a resposta honesta começa torta: o que tomar depende da causa. E há um dado que quase ninguém conta antes de indicar a caixinha. Quando uma revisão juntou tudo o que já foi estudado sobre medicamento para dor no pescoço, 36 ensaios clínicos, o resultado foi constrangedor: nenhum remédio com benefício comprovado de forma consistente para a dor cervical.1 Nenhum.
Isso não é um convite a sofrer em silêncio, nem significa que analgésico seja inútil. Significa algo mais incômodo: o remédio não é o tratamento da dor na nuca. Ele é a ponte até o tratamento. Quem confunde a ponte com o destino transforma um alívio de uma semana num problema de anos.
Por que não existe “o remédio para dor na nuca”
Frase forte pede fonte, então deixa eu mostrar de onde ela sai.
A revisão que citei é do tipo mais rigoroso que existe: junta todos os ensaios clínicos publicados sobre um assunto e pergunta o que sobra. No caso do pescoço, sobrou pouco. Os autores não encontraram evidência para o paracetamol, e os dados sobre anti-inflamatório na dor cervical foram, nas palavras deles, em grande parte negativos, tanto na dor aguda quanto na crônica.1 Repare que não é reprovação após teste. O remédio quase nunca chegou a ser testado sozinho: nos estudos, o analgésico era liberado para todo mundo, nos dois grupos, como pano de fundo. Ninguém parou para perguntar se ele fazia diferença.
Os mesmos autores levantam uma questão que explica muita coisa. Por que os médicos tratam pescoço como tratam lombar? Na dor lombar, o anti-inflamatório tem evidência de benefício. Essa evidência foi transplantada para o pescoço por semelhança, sem que ninguém tenha demonstrado que regiões diferentes da coluna respondem igual ao mesmo tratamento.1 Boa parte do que se faz na dor de nuca é um empréstimo que nunca foi conferido.
A diretriz mais recente sobre dor cervical, de 2025, chega ao mesmo lugar por um caminho mais atual e é um pouco mais generosa: aceita o anti-inflamatório na fase aguda. Mas com três condições que quase ninguém cumpre. Pelo menor tempo possível. Sabendo que o efeito é pequeno, menos de 10 pontos numa escala de dor que vai de 0 a 100. E apenas combinado com medidas ativas.2 Na dor crônica, a mesma diretriz recomenda não usar. E diz, com todas as letras, para que o remédio serve ali: tornar o exercício menos doloroso.2
Leia essa frase de novo, porque ela é o texto inteiro em uma linha. O remédio existe para você conseguir se mexer. Não para substituir o mexer.
O que costuma ser usado, causa por causa
Aqui o “depende” deixa de ser evasiva e vira informação útil. Cada causa de dor na nuca tem uma lógica de tratamento própria, e a mesma caixinha que ajuda numa é inútil na outra. Se você ainda não sabe qual é a sua, vale entender antes o que pode estar por trás da dor na nuca, e só depois pensar em farmácia.
Um aviso antes de seguir: nada do que vem abaixo é receita. Cito classes de remédio e o raciocínio por trás de cada escolha, que é o que dá para explicar num texto. A escolha e a dose são definidas individualmente, com o seu médico, porque dependem da sua causa, das suas outras doenças e do que você já usa.
Quando é tensão muscular e dor no pescoço
A causa mais comum é justamente aquela em que o remédio menos ajuda. Vale o que está lá em cima: anti-inflamatório por pouco tempo, na fase aguda, para destravar o movimento.2 O que muda o jogo de verdade é o que a diretriz classifica com a força máxima de recomendação, e não é comprimido. É atividade física e exercício.2
E há uma coisa que a diretriz manda não fazer, embora seja o primeiro impulso de quem acorda com a nuca travada: imobilizar. Colar cervical, repouso, ficar quieto. O texto justifica com dois riscos, medicalização e atrofia muscular.2 Pescoço parado enfraquece. Pescoço fraco dói mais.
Quando é cefaleia tensional
Aquela dor em aperto, dos dois lados, com a musculatura da nuca sensível. Aqui o analgésico comum tem evidência, e de boa qualidade. O problema é o tamanho dela.
Uma revisão com 8.079 pessoas mediu exatamente isso. Com paracetamol de 1 grama, 24 em cada 100 pessoas ficavam sem dor em duas horas. Com placebo, 19 em cada 100. A conta é simples e ninguém gosta dela: só 5 em cada 100 pessoas melhoraram por causa do comprimido.3 Os autores haviam definido, antes de olhar os dados, qual seria o resultado mínimo para o remédio ser clinicamente útil. O resultado ficou abaixo desse mínimo.3
Não jogue a caixa fora por isso. Apenas ajuste a expectativa: se você toma aquilo três vezes por semana esperando que resolva, o problema não é a marca do comprimido.
Quanto à escolha da classe, o anti-inflamatório parece um pouco mais eficaz que o paracetamol, mas cobra mais do estômago.4 Troca, não superioridade. E como toda troca, se decide caso a caso, com quem conhece o seu histórico.
Quando a dor de cabeça é frequente, a lógica inverte por completo, e essa é a parte que mais gera resistência no consultório. Sai o analgésico, entra a prevenção. O remédio de primeira escolha na cefaleia tensional crônica é um antidepressivo, a amitriptilina.4 E aqui preciso ser claro sobre algo que a própria diretriz faz questão de repetir duas vezes: o efeito dela na dor não tem relação com você estar deprimido ou não.4 É um remédio antigo que, em doses diferentes das usadas para depressão, age direto nos mecanismos de dor. A diretriz insiste que o paciente seja informado disso, porque muita gente lê a bula, se ofende e para.
O benefício é real e é modesto: cerca de 5 crises a menos por mês, com evidência de alta qualidade.5 Os próprios autores reconhecem que isso é menos da metade da frequência inicial, e que sobra bastante dor. Também cobra sonolência e boca seca. Uma troca, não um milagre.
Quando é a dor de cabeça que nasce no pescoço
A cefaleia cervicogênica sobe do pescoço para a cabeça, quase sempre do mesmo lado. E ela tem o melhor estudo de tratamento deste texto inteiro, com um detalhe: o tratamento não é remédio.
Um ensaio australiano acompanhou 200 pessoas com esse diagnóstico durante um ano, divididas entre exercício específico do pescoço, terapia manual, os dois juntos e um grupo sem tratamento nenhum. Entre quem tratou, 76% conseguiram reduzir pela metade ou mais a frequência das crises, contra 29% de quem não fez nada. Um ano depois, 72% mantinham a melhora.6
Mas o número que me interessa é outro. Entre quem tratou a causa, o consumo de analgésico caiu entre 93% e 100%. No grupo sem tratamento, subiu 33%.6 Ninguém mandou essas pessoas largarem o remédio. Elas largaram porque a dor foi embora.
E o estudo guarda um achado que explica o texto todo. A terapia manual tirou a dor, mas sozinha não recuperou a função dos músculos profundos do pescoço. Só o exercício recuperou.6 Ou seja, dá para tirar a dor e deixar o problema exatamente onde estava. É isso que o analgésico faz todo santo dia, na sua casa, agora.
Quando é enxaqueca ou neuralgia
Enxaqueca merece seção própria, e ela vem logo abaixo. Já a neuralgia occipital, aquela dor em choque que segue o trajeto do nervo, tem um raciocínio de tratamento bem diferente de tudo o que está aqui, e prefiro tratar dela no texto sobre dor de cabeça na nuca, onde dá para explicar direito.
O relaxante muscular, que é o que quase todo mundo toma
Preciso falar disso em separado, porque é o remédio que mais aparece quando o assunto é nuca. A pessoa acorda com o pescoço travado, alguém oferece um relaxante, e pronto.
A diretriz de 2025 sobre dor cervical mantém uma lista curta chamada “as cinco coisas que não se deve fazer”. Prescrever relaxante muscular está nela.2 Nem na dor aguda, nem na crônica. Para as cefaleias tensionais, a diretriz europeia repete: relaxante muscular não deve ser usado.4
Agora vem a parte interessante, onde a lógica deste texto se prova sozinha. Uma revisão de 2024 parece, à primeira vista, dizer o contrário: entre as dores crônicas, a cervical seria justamente uma das poucas em que o relaxante mostrou algum sinal de funcionar.7 Contradição? Não. Quando você abre os dois trabalhos, vê que eles falam de causas diferentes. Os estudos por trás daquele sinal positivo são de artrose e espondilose cervical, ou seja, dor com causa estrutural identificada. A diretriz que diz “não use” fala da dor cervical comum, aquela sem causa estrutural. Os dois estão certos ao mesmo tempo. O mesmo remédio ajuda numa situação e não ajuda na outra.
Não seria justo parar por aí, porque esse sinal positivo é frágil, e você merece saber o tamanho dele. São dois estudos, com dois remédios que praticamente não se usam no Brasil, e num deles o que melhorou nem foi a dor. Foi o sono.7 Quanto à ciclobenzaprina, o relaxante que o brasileiro de fato toma para a nuca, não existe um único estudo em dor cervical em nenhuma dessas revisões. Nas condições em que ela foi testada de verdade, como fibromialgia e dor de cabeça, não se saiu melhor que o placebo.7
O que existe de certeza são os efeitos: sonolência e boca seca lideram, e num dos estudos 25% das pessoas abandonaram o tratamento por causa deles.7 A recomendação que fecha essa revisão é a que levo para a consulta: se o objetivo combinado não foi alcançado, o passo seguinte é retirar o remédio, não aumentar.7
Cefaleia por uso excessivo de medicação: quando o remédio vira a doença
Se você leu até aqui procurando o que tomar, essa é a informação que eu mais quero que você leve. Existe uma condição chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, e ela funciona assim: a pessoa tem dor de cabeça, toma analgésico, o analgésico ajuda, a dor volta, ela toma de novo. Com o tempo e a repetição, o próprio remédio passa a sustentar a dor. No fim, você tem alguém com dor quase todo dia, tomando remédio quase todo dia, convencido de que sem ele seria pior.
Não é rara. Atinge cerca de 4% dos adultos, é mais que o dobro em mulheres e tem seu pico justamente na faixa dos 50 anos.8
E existe um número, o que é ótimo, porque número dá para conferir sozinho. O risco aparece quando o uso passa de 14 dias por mês para analgésicos comuns, ou de 9 dias por mês para os combinados e os específicos de enxaqueca, mantido por mais de três meses.4 Uma vez por semana não chega lá. Se você toma um comprimido de vez em quando, não é sobre você. Mas se você está contando os dias e chegando perto disso, é exatamente sobre você.
Duas coisas contraintuitivas aqui, e as duas importam.
A primeira: o analgésico comum de farmácia é o que mais se associa a esse quadro, mais até que remédios de nome mais pesado.9 O comprimido inofensivo, que não precisa de receita, é o campeão. Isso vem de estudos observacionais, não de prova definitiva, então escrevo com cuidado. Mas o sinal aparece.
A segunda: usar analgésico de forma preventiva, todo dia, para a dor não vir, piora. Num estudo, o anti-inflamatório usado assim aumentou a dor de cabeça em comparação com o placebo.4
Um esclarecimento, para não vender o que não tenho. Ninguém fez um estudo pegando pessoas saudáveis, mandando metade tomar analgésico e vendo quem desenvolve dor crônica; seria antiético. O que existe é a associação, e ela é forte. E existe o outro lado da moeda, esse sim testado.
Porque a melhor notícia deste texto está justamente aqui: isso é reversível, às vezes de um jeito ridículo de simples. Um ensaio na Noruega pegou pacientes de clínica geral nessa situação e testou uma intervenção de 9 minutos. O médico explicava o que estava acontecendo e combinava um plano. Só isso. A cefaleia crônica se resolveu em 50% das pessoas que receberam a conversa, contra 6% de quem seguiu no cuidado de sempre.10 Nove minutos de explicação valeram mais que anos de comprimido.
Em pacientes mais graves, acompanhados em centro especializado, outro ensaio comparou três estratégias diferentes de saída. Todas funcionaram, sem diferença relevante entre elas.11 Isso é mais libertador do que parece: não existe um único caminho certo e difícil. Existe caminho.
Um detalhe prático de quem passa por isso: piora antes de melhorar. As primeiras uma a duas semanas depois de reduzir são ruins, e isso é esperado.10 Quem não sabe desiste no terceiro dia e conclui que precisava do remédio. Precisava era de alguém avisando. Por isso mesmo, não recomendo fazer essa retirada por conta própria: é justamente o tipo de coisa que pede plano e acompanhamento.
Quando a dor na nuca é enxaqueca disfarçada
Esse é o desvio mais comum de todos. Entre quem tem enxaqueca, cerca de 7 em cada 10 pessoas sentem dor no pescoço durante a crise. E na maioria das vezes essa dor começa junto com a crise ou pouco antes: ela faz parte da enxaqueca, não é um problema separado do pescoço.12
Pense no que isso significa na prática. Se a sua dor de nuca é a enxaqueca se manifestando, tratar “o pescoço” com relaxante e anti-inflamatório é tratar o sintoma de um evento que acontece no cérebro. Não vai funcionar direito, você vai repetir o remédio, e é assim que se chega ao problema da seção anterior. A enxaqueca tem tratamento próprio, tem prevenção própria, e o caminho começa por reconhecer que é ela.
Acha improvável que isso passe despercebido? O dado diz o contrário. Num estudo com 1.203 pessoas na atenção primária, 94% das que tinham sido diagnosticadas com uma dor de cabeça que não era enxaqueca, na verdade tinham enxaqueca.5 O erro não é do paciente. É difícil mesmo.
E além do remédio?
Como você já viu, a resposta mais consistente de todas não está na farmácia. Movimento e exercício carregam a recomendação de força máxima na dor cervical, e entender a própria dor tem efeito mensurável.2 Postura, pausa na tela, alongamento, calor e o manejo do estresse são o cuidado de base, e eu detalho cada um deles na página sobre as causas da dor na nuca. A leitura de lá completa esta aqui.
O que eu vejo no consultório
Quando pergunto o que a pessoa já tomou para essa dor, quase nunca vem uma resposta curta. Vem uma lista. O analgésico que a mãe usava, um anti-inflamatório que sobrou de uma dor de dente, o relaxante que o vizinho jurou que era bom, e o que o balconista da farmácia recomendou da última vez. Antes de chegar a mim, essa dor já passou por vários “médicos”. Nenhum deles examinou o pescoço dela.
Tem uma pergunta que costuma mudar a consulta: quantos dias por mês você toma alguma coisa para dor? Praticamente ninguém sabe responder. A resposta padrão é “só quando dói”. Então eu peço para contarmos juntos, dia por dia, a semana passada. E é comum a pessoa chegar sozinha a um número que ela mesma não esperava, algo como quinze, vinte. Ninguém está mentindo. O comprimido virou parte do dia, como o café, e a gente não conta o que virou rotina.
Esse é o momento mais delicado, porque preciso dizer uma coisa que soa absurda: o remédio que você toma para a dor pode estar sustentando a dor. A reação quase sempre é a mesma, e eu entendo. “Mas doutor, se eu não tomar, fica pior.” E fica mesmo, nos primeiros dias. É por isso que ninguém consegue fazer isso sozinho, no susto. Precisa de plano, precisa de alguém explicando o que vai acontecer, e precisa de tratamento para a causa entrando ao mesmo tempo.
A outra resistência que enfrento toda semana é com a prevenção. Quando proponho um preventivo e a pessoa lê que é antidepressivo, o rosto muda na hora. “Doutor, você acha que é da minha cabeça?” Não é isso, e eu explico com calma: em doses diferentes das que se usam para depressão, esses remédios agem direto nos mecanismos de dor, e funcionam em quem nunca teve depressão nenhuma. Curioso como quase ninguém tem medo de tomar analgésico todo dia por dez anos, mas todo mundo tem medo de tomar um preventivo por seis meses.
E tem o relaxante muscular, o campeão de audiência da nuca. A pessoa toma, dorme melhor naquela noite e credita a melhora ao remédio. Não discuto isso de frente, porque a experiência dela é real. O que eu pergunto é o que aconteceu na terceira semana, quando ela continuou tomando e a dor continuou ali. Aí costuma aparecer o que interessa: o remédio deu sono, não deu solução.
Por isso a minha primeira consulta com quem tem dor na nuca quase nunca termina em receita nova. Termina em nome. Explico qual das causas é a dela, o que faz aquilo aparecer e o que dá para mudar. Muita gente sai daqui tomando menos remédio do que entrou, e melhora justamente por isso. O que eu não abro mão é da outra parte: dor que explode do nada, que vem com febre e pescoço duro, com perda de força, dormência, ou que acorda a pessoa à noite, essa eu investigo a fundo, sem exceção. Separar essas duas coisas é o trabalho, e é o que nenhuma caixa de remédio faz sozinha.
Quando procurar o neurologista
Antes dos alertas, a estatística que tranquiliza: em menos de 1% dos casos a dor no pescoço vem de uma causa perigosa.2 A imensa maioria é benigna. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação imediata:
- dor que começou de forma súbita e explosiva, a pior da sua vida;
- febre com rigidez na nuca, ou alteração da consciência;
- dor que começou depois de trauma, queda ou acidente;2
- perda de força, dormência, formigamento ou dor irradiando para o braço;2
- tontura, marcha instável, zumbido ou alteração visual;2
- perda de peso, suor noturno ou febre sem explicação;2
- dor noturna que acorda você.2
Fora esses casos, existe um marco temporal simples: dor que persiste além de 4 a 6 semanas mesmo com o tratamento correto merece ser reinvestigada.2 E se você toma analgésico mais dias do que gostaria de admitir, isso sozinho já é motivo de consulta.
Uma última: na dor cervical aguda sem sinais de alarme, a diretriz recomenda não fazer exame de imagem, com a força máxima de recomendação.2 O raio-X de coluna cervical, aquele que quase todo mundo já fez por dor na nuca, é considerado inadequado para essa investigação por não ter sensibilidade suficiente.2 Se você está aqui porque seu exame “deu alteração” mas a dor continua, essa frase talvez explique bastante coisa.
Se a sua dor na nuca virou rotina, se o analgésico virou hábito, ou se você quer descobrir qual das causas é a sua antes de tomar mais alguma coisa, agende uma consulta pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Qual o melhor remédio para dor na nuca?
Não existe um, e isso não é evasiva: é o que a melhor evidência mostra. Uma revisão que reuniu 36 ensaios clínicos sobre medicamentos para dor cervical não encontrou nenhum com benefício comprovado de forma consistente.1 Na fase aguda, as diretrizes aceitam o anti-inflamatório por pouco tempo, com efeito pequeno e sempre acompanhado de medidas ativas.2 Quando a dor se repete, trocar de comprimido não resolve. O que resolve é descobrir a causa com um médico, porque tensão muscular, cefaleia tensional, enxaqueca e a dor que nasce nas articulações do pescoço pedem tratamentos completamente diferentes.
Posso tomar dipirona para dor na nuca?
A dipirona é o remédio mais tomado no Brasil para dor na nuca e, curiosamente, nunca foi avaliada em estudo clínico para essa situação. Não é que tenha sido testada e reprovada: ela simplesmente não foi testada. As diretrizes internacionais a colocam como alternativa de exceção, na menor dose e pelo menor tempo possível, reservada para quando o anti-inflamatório não pode ser usado.2 Num episódio isolado, ela pode aliviar, e isso é legítimo. O que não dá é esperar que resolva uma dor que volta sempre, nem tomá-la com frequência sem investigar a causa. Converse com o seu médico sobre o que faz sentido no seu caso.
Relaxante muscular resolve dor na nuca?
As diretrizes não recomendam. A diretriz de 2025 sobre dor cervical inclui “prescrever relaxante muscular” na sua lista das cinco condutas a evitar, tanto na dor aguda quanto na crônica,2 e a diretriz europeia de cefaleia tensional diz o mesmo.4 A ciclobenzaprina, o relaxante que o brasileiro mais toma para pescoço travado, não tem um único estudo em dor cervical; nas condições em que foi testada, não superou o placebo.7 Existe um sinal positivo em situações bem específicas, quando a dor cervical tem causa estrutural identificada como artrose, mas ele vem de dois estudos pequenos, com medicamentos que quase não se usam aqui.7 Certos mesmo são os efeitos colaterais: sonolência e boca seca.
Quantas vezes por semana posso tomar analgésico para dor de cabeça?
Existe um limite, e ele é o dado mais importante para quem tem dor recorrente. O risco de cefaleia por uso excessivo de medicação aparece quando o uso passa de 14 dias por mês para analgésicos comuns, ou de 9 dias por mês para os combinados e os específicos de enxaqueca, mantido por mais de três meses.4 Tomar uma vez por semana não configura o problema. Tomar quase dia sim, dia não, durante meses, configura. Nessa condição o próprio remédio passa a sustentar a dor, e o quadro atinge cerca de 4% dos adultos.8 A boa notícia: é reversível com orientação médica.10 Só não faça a retirada por conta própria, porque a dor costuma piorar por uma a duas semanas antes de melhorar, e quem não sabe disso desiste no meio do caminho.
O que tomar para dor na nuca e dor de cabeça ao mesmo tempo?
Antes do remédio, uma informação que muda a resposta: quando as duas dores vêm juntas, há uma chance grande de serem o mesmo evento, e não dois problemas. Cerca de 7 em cada 10 pessoas com enxaqueca sentem dor no pescoço durante a crise, e na maioria das vezes essa dor faz parte da própria crise.12 Se for esse o seu caso, tratar o pescoço com relaxante e anti-inflamatório não vai funcionar direito, porque o evento está sendo disparado no cérebro, e a enxaqueca tem tratamento e prevenção próprios. Essa confusão é comum até entre médicos: num estudo com 1.203 pessoas na atenção primária, 94% das que haviam recebido diagnóstico de uma dor de cabeça que não era enxaqueca tinham, na verdade, enxaqueca.5 Procure uma avaliação antes de continuar no analgésico.
Anti-inflamatório ou paracetamol: qual funciona melhor para a dor na nuca?
Para a cefaleia tensional, o anti-inflamatório parece um pouco mais eficaz que o paracetamol, mas cobra mais do estômago: é uma troca, não uma superioridade.4 E o tamanho do benefício costuma decepcionar quem espera muito do comprimido. Com paracetamol de 1 grama, 24 em cada 100 pessoas ficam sem dor em duas horas; com placebo, 19 em cada 100. Ou seja, só 5 em cada 100 melhoram por causa do remédio.3 Para a dor cervical propriamente dita, os dados de anti-inflamatório são em grande parte negativos, e para o paracetamol não há evidência nenhuma.1 A escolha entre um e outro depende do seu histórico, do seu estômago e das suas outras medicações, e essa conversa é para ter com o seu médico.
Dor na nuca por tensão: o que tomar?
Quando a dor vem de tensão muscular e postura, que é a causa mais comum, o remédio é a parte menos importante do tratamento. As diretrizes aceitam o anti-inflamatório na fase aguda, por pouco tempo, e deixam clara a função dele: tornar o movimento menos doloroso para que você consiga se mexer.2 Quem carrega a recomendação de força máxima é a atividade física e o exercício.2 E existe uma conduta que a diretriz manda evitar, embora seja o primeiro impulso de muita gente: imobilizar o pescoço com colar cervical ou repouso, pelo risco de atrofia muscular.2 Pescoço parado enfraquece. Pescoço fraco dói mais.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Nenhuma informação aqui é prescrição: a escolha do medicamento, a dose e o tempo de uso devem ser definidos individualmente com o seu médico.
Referências
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