Existe associação entre enxaqueca com aura e AVC isquêmico. Ela é real. E é pequena em números absolutos, embora a maior parte do que se escreve sobre ela omita justamente a informação que permitiria entender o tamanho: o denominador.
Este texto é sobre essa conta. Se o que você procura é entender o que é a aura, como ela se manifesta e quanto dura, escrevi separado em enxaqueca com aura: o que é, como se manifesta e quanto dura.
”Seis vezes mais risco”: seis vezes o quê?
O número que assusta vem de um estudo americano com mulheres de 15 a 49 anos. Quem tinha aura e usava contraceptivo combinado teve chance de AVC isquêmico 6,1 vezes maior (intervalo de 3,1 a 12,1) do que quem não tinha nem uma coisa nem outra.1
O que quase nunca acompanha esse múltiplo é a base sobre a qual ele incide. No mesmo estudo, foram 25.887 AVCs isquêmicos em mulheres dessa faixa etária ao longo de sete anos, nos Estados Unidos inteiros. Isso dá uma incidência de 11 AVCs por 100.000 mulheres.1
Multiplique por seis um evento que atinge 11 em cada 100.000 e você continua diante de um evento raro. Isso não torna o risco irrelevante, e este texto não existe para tranquilizar ninguém indevidamente. Existe para que a conta seja feita com os dois números, não só com o mais assustador.
Os números absolutos, e por que eles não se somam
A literatura mede esse risco em unidades diferentes, e cada linha da tabela abaixo responde a uma pergunta distinta. Nenhuma pode ser trocada por outra. Repare nas colunas da direita:
| Situação medida | Número | Em quem, e em quanto tempo |
|---|---|---|
| Aura ativa2 | 13,1 contra 8,8 sem enxaqueca | por 10.000 mulheres, por ano |
| Aura + contraceptivo combinado3 | 14,5 contra 5,9 sem contraceptivo | por 100.000 mulheres, por ano |
| Enxaqueca (diagnóstico hospitalar)4 | 45 contra 25 na população geral | por 1.000 pessoas, em 19 anos |
| Aura, no pós-operatório5 | 6,3 contra 2,4 sem enxaqueca | por 1.000 pacientes cirúrgicos, em 30 dias |
O que sobrevive a todos esses desenhos é sempre a mesma estrutura: um risco relativo em torno de dois, incidindo sobre uma base pequena. Em mulher jovem, o que a aura acrescenta é da ordem de poucos eventos por 10.000 pessoas por ano.
Um detalhe vale registro, porque mostra como esses números enganam. No estudo dinamarquês da terceira linha, a incidência acumulada em 19 anos foi praticamente idêntica entre quem tinha aura e quem não tinha, apesar de os riscos relativos ajustados serem diferentes.4 O número absoluto daquela linha não é específico da aura.
A parte que a maioria dos textos erra: o risco não é exclusivo da aura
Você vai ler em muitos lugares que o risco de AVC existe só em quem tem aura. É uma simplificação, e ela erra para o lado perigoso, porque tranquiliza o grupo maior.
A meta-análise mais conhecida encontrou risco relativo de 2,16 (1,53 a 3,03) na enxaqueca com aura, contra 1,23 (0,90 a 1,69) na enxaqueca sem aura, cujo intervalo cruza o valor nulo.6 Só que a meta-análise que fundou o campo, com 14 estudos, encontrou risco significativo também na enxaqueca sem aura: 1,83 (1,06 a 3,15), contra 2,27 (1,61 a 3,19) com aura.7 E três bases populacionais grandes concordam com essa segunda leitura, medindo risco significativo no grupo sem aura.4,5,8
A formulação honesta fica assim: o risco é consistentemente maior na aura, o suficiente para que o subtipo oriente a conduta, mas a enxaqueca sem aura não é isenta. É um gradiente, não um interruptor.
A associação é real. A causalidade não está demonstrada
Aqui é onde a divulgação costuma pular uma etapa inteira. Associação estatística não é causa. E, neste caso, dois achados independentes empurram na direção contrária.
O primeiro vem de um estudo com 53.404 gêmeos suecos, acompanhados em média por 12 anos.9 Na análise convencional, a aura apareceu associada a AVC com risco de 1,27, exatamente no limite da significância. Quando os autores compararam gêmeos entre si, neutralizando tudo o que a família compartilha (genética e ambiente de criação), o risco caiu para 1,09, sem significância. A conclusão deles: fatores familiares podem responder por parte da associação.
O segundo é genético. Numa análise com dados de mais de 23.000 casos de enxaqueca e 12.000 de AVC isquêmico, a sobreposição genética foi muito maior com a enxaqueca sem aura do que com a enxaqueca com aura, e os autores registram um “papel limitado de variantes comuns” no subtipo com aura.10
Traduzindo: se a aura causasse AVC por uma via genética compartilhada, era nela que o sinal deveria aparecer. Ele aparece no subtipo vizinho.
O anticoncepcional combinado: o que a recomendação de fato diz
A regra que circula é categórica: quem tem aura não deve usar pílula combinada. A recomendação real é mais cuidadosa do que o boato.
O consenso europeu que a formulou usa o verbo “sugerimos contra” e classifica a própria recomendação como 2C, o que na régua adotada por eles significa recomendação fraca, apoiada em evidência de baixa qualidade.11 O mesmo documento registra que, na maioria dos estudos disponíveis, não havia dados suficientes para separar o risco por subtipo, e que apenas dois traziam o risco na aura conforme o uso de contraceptivo.
Nada disso quer dizer que a recomendação seja errada, nem que se possa ignorá-la. Quer dizer que ela é uma decisão de precaução diante de incerteza, não a leitura de um dado forte. A diferença importa na hora de conversar, porque muda o tom: não é uma proibição sustentada por certeza, é uma escolha prudente quando existem alternativas boas.
⚠️ Um número que circula está retratado. O mesmo consenso publicou uma tabela de risco absoluto que os próprios autores corrigiram depois, por erro de cálculo.3 Os valores certos são 14,5 por 100.000 por ano para quem tem aura e usa contraceptivo, contra 5,9 para quem tem aura e não usa. A versão original trazia 36,9, número que ainda aparece em muito texto por aí e que inflava o risco em mais de três vezes.
O que a alternativa custa, em uma linha
Quando se recomenda trocar o combinado por outro método, fala-se como se o destino fosse risco zero. Não é. Num estudo dinamarquês com mais de dois milhões de mulheres, a pílula só de progestagênio ficou associada a cerca de 15 casos a mais de AVC isquêmico por 100.000 pessoas-ano, contra 21 do combinado, e só o DIU de levonorgestrel não apareceu com excesso.12,13 A dose de estrogênio, que todo mundo cita, não é a alavanca: formulações de 30 a 40 microgramas deram risco praticamente igual às de até 20, e o que muda o risco de verdade é a idade.14 E o teste que comparou os dois métodos dentro do grupo que tem aura não encontrou diferença clara, com intervalo de confiança atravessando o zero.15
⚠️ Nenhum desses números foi medido especificamente em mulheres com aura. Eles descrevem a população feminina em geral.
Por que a certeza diagnóstica vale menos do que parece
Circula por todo lugar uma tabela dizendo que a aura é gradual e produz sintomas positivos, enquanto a isquemia é súbita e produz sintomas negativos. Ela descreve uma tendência verdadeira. Usada como teste, falha bem mais do que se imagina.
Quando os critérios formais de ataque isquêmico transitório foram medidos contra infartos comprovados por imagem, a especificidade caiu de 95% no estudo original para 77%.16 Numa validação independente, feita em pacientes reais encaminhados por suspeita de AIT, caiu para 61,3%, e a enxaqueca com aura foi o diagnóstico alternativo mais comum entre os falsos positivos.17
Mais direto ainda: numa coorte prospectiva, entre os pacientes classificados como aura migranosa pelos critérios da própria sociedade internacional de cefaleia, 11% tinham isquemia aguda na ressonância.18 Esse número vem de uma população que chegou ao hospital sob suspeita de AVC, então não é a taxa da aura em geral. Mas basta para a conclusão que importa: a tabela é um vetor de probabilidade, não um portão.
⛔ E a afirmação que não pode ser feita: não existe nenhum ensaio clínico mostrando que tratar a enxaqueca ou a aura reduza o risco de AVC. A busca nos registros de ensaios foi feita de forma completa para este texto, e o que existe são estudos de fechamento de forame oval com desfecho de dor de cabeça, vários deles encerrados precocemente. Quem diz que o tratamento previne AVC está afirmando algo que ninguém testou.
O que eu vejo no consultório
Vou começar por onde a conversa realmente acontece no meu dia, e não é no AVC. Quando olho para trás nos meus registros, o anticoncepcional aparece muito mais vezes ligado a algo banal e cotidiano do que à catástrofe: ele mexe na frequência das crises. Mulher que piorou ao começar, mulher que melhorou ao trocar, mulher cujo padrão virou outro depois de uma mudança de método. O AVC é o que assusta e ocupa a internet inteira. A modulação das crises é o que eu vejo toda semana.
Isso muda a natureza da conversa. Não é só “esse método é seguro para mim?”. É também “esse método está atrapalhando o meu controle?”. As duas perguntas são legítimas e quase nunca são feitas juntas.
Aprendi a perguntar sobre a aura de propósito, em voz alta, mesmo quando o prontuário já diz que não tem. Muita anotação de “enxaqueca sem aura” é, na verdade, ausência de pergunta: alguém registrou a queixa de dor de cabeça e ninguém investigou se havia sintoma neurológico antes dela. Como é justamente o subtipo que decide a conduta contraceptiva, essa pergunta não pode ficar implícita. Quando eu pergunto direito, uma parte das pacientes descreve aura que ninguém tinha nomeado.
Existe uma explicação para essa lacuna que eu acho útil o público conhecer. A bula do anticoncepcional geralmente contraindica “enxaqueca grave”. A diretriz médica fala em aura. Não é a mesma coisa, e a diferença não é acadêmica: uma paciente com aura leve e infrequente não se reconhece na palavra “grave”, e quem entrega a receita também não a enquadra ali. O filtro escrito no produto não pergunta a coisa certa.
E aqui vai o ponto em que eu mais insisto: não pare por conta própria. Já acompanhei paciente cuja enxaqueca virou diária depois de suspender o anticoncepcional contínuo, e não foi uma nem duas. Parar não é automaticamente o lado seguro da decisão, porque a queda hormonal também desencadeia crise. Se a conclusão for trocar, isso se organiza com quem prescreve, escolhendo o substituto antes de interromper. Uma gravidez não planejada, aliás, tem os seus próprios riscos, e ela entra na conta.
Por último, uma coisa que quase nunca aparece nos textos sobre o assunto: o hormônio raramente é a única variável. Na maioria das vezes em que consegui melhorar o controle de uma paciente, o que estava em jogo era um conjunto: ferritina baixa, B12 no limite, refrigerante com cafeína todos os dias, sono desorganizado e, sim, o hormônio. Quando a pessoa chega achando que a resposta é uma decisão binária sobre a pílula, quase sempre a resposta real está espalhada em quatro ou cinco lugares.
Quando procurar o neurologista
Marque uma avaliação, sem urgência, se:
- Você tem enxaqueca e nunca conversou sobre o subtipo com o médico que prescreve seu contraceptivo.
- Você tem aura e usa pílula, adesivo ou anel combinados.
- A aura apareceu depois de você começar um contraceptivo hormonal.
- Você tem aura, fuma e tem mais de 35 anos.
- O padrão das suas crises mudou depois de começar, trocar ou parar um método.
Procure atendimento imediato, em pronto-socorro, se:
- Houver fraqueza de um lado do corpo, boca torta ou dificuldade súbita para falar.
- O sintoma neurológico se instalou de uma vez, no mesmo segundo, em vez de progredir.
- O sintoma não passou em algumas horas.
- Veio a pior dor de cabeça da sua vida.
⚠️ E o mais importante: não pare o contraceptivo por conta própria depois de ler este texto. Interromper sem substituto tem riscos próprios, incluindo gravidez não planejada, e há quem piore da enxaqueca ao parar. Se a conclusão for trocar, isso se organiza com quem prescreve.
Se você tem aura e quer entender onde está de verdade nessa conta, me chame no WhatsApp.
Enxaqueca com aura é perigosa?
A associação com AVC isquêmico existe e é real, mas é pequena em números absolutos. O risco relativo fica em torno de duas vezes e incide sobre uma base de cerca de 11 AVCs por 100.000 mulheres de 15 a 49 anos.1 Ou seja: o evento continua raro. Aura não é um diagnóstico grave por si só, e a esmagadora maioria das pessoas que tem aura nunca terá um AVC.
Quem tem enxaqueca com aura pode tomar anticoncepcional?
As sociedades médicas recomendam evitar os métodos combinados, que contêm estrogênio, e preferir um método sem estrogênio. Vale saber como quem escreveu essa recomendação a graduou: o consenso europeu usa a expressão “sugerimos contra” e classifica a própria recomendação como fraca, apoiada em evidência de baixa qualidade.11 É uma decisão de precaução diante de incerteza, não a leitura de um dado forte. A conversa é com quem prescreve, e vale fazê-la mesmo que você use o mesmo método há anos.
Qual anticoncepcional é seguro para quem tem enxaqueca com aura?
A alternativa mais recomendada é um método sem estrogênio. Ela não é risco zero, e vale saber disso: num estudo com mais de 2 milhões de mulheres, a pílula só de progestagênio ficou associada a cerca de 15 casos a mais de AVC isquêmico por 100.000 pessoas-ano, contra 21 do combinado. O único método que não apareceu com excesso foi o DIU de levonorgestrel.12,13 Nenhum desses números foi medido especificamente em mulheres com aura, e a escolha do método depende de muito mais coisas do que o risco vascular. Quem decide isso com você é o seu médico.
Devo parar o anticoncepcional se descobri que tenho aura?
Não por conta própria. Interromper sem substituto tem riscos próprios, incluindo gravidez não planejada, e há quem piore da enxaqueca ao parar, porque a queda hormonal também desencadeia crise. Se a conclusão for trocar de método, isso se organiza com quem prescreve, escolhendo o substituto antes de interromper.
Enxaqueca sem aura também aumenta o risco de AVC?
Provavelmente sim, em menor grau, e essa é uma nuance que a maioria dos textos erra. A meta-análise mais citada não encontrou risco significativo no grupo sem aura,6 mas a meta-análise que fundou o campo encontrou,7 e três bases populacionais grandes concordam com ela.4,5,8 A leitura honesta é a de um gradiente: o risco é maior na aura, e a enxaqueca sem aura não é isenta.
A enxaqueca com aura causa AVC?
Associação não é causa, e neste caso há dois achados apontando na direção contrária. Num estudo com 53.404 gêmeos, o risco caiu de 1,27 para 1,09 quando se compararam gêmeos entre si, o que neutraliza o que a família compartilha.9 E uma análise genética encontrou sobreposição maior entre AVC e a enxaqueca sem aura, não com aura.10 Ou seja: parte da associação pode vir de fatores familiares, não da aura em si.
Tratar a enxaqueca reduz o risco de AVC?
Não existe evidência de que sim. Nenhum ensaio clínico testou se tratar a enxaqueca ou a aura muda o risco de AVC, e quem afirma isso está afirmando algo que ninguém mediu. O que se justifica por si, pelo risco vascular geral, é parar de fumar, controlar a pressão e escolher bem o método contraceptivo.
Tenho aura e fumo. Isso muda alguma coisa?
Muda, e é uma das poucas combinações em que a recomendação é consistentemente mais firme. Tabagismo, contraceptivo combinado e idade acima de 35 anos são fatores que se somam ao quadro, e o consenso europeu trata a presença de fatores de risco adicionais como motivo para preferir um método sem estrogênio mesmo em quem não tem aura.11 Parar de fumar é a intervenção com maior efeito sobre risco vascular disponível para você.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Nenhuma informação aqui é prescrição, e nada nele deve ser usado para iniciar, trocar ou interromper qualquer contraceptivo por conta própria: essa decisão é sua com o médico que acompanha você.
Referências
-
Champaloux SW, et al. Use of combined hormonal contraceptives among women with migraines and risk of ischemic stroke. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2017. https://doi.org/10.1016/j.ajog.2016.12.019 ↩ ↩2 ↩3
-
Kurth T, et al. Migraine and Risk of Cardiovascular Disease in Women. JAMA. 2006. https://doi.org/10.1001/jama.296.3.283 ↩
-
Sacco S, et al. Correction to: Hormonal contraceptives and risk of ischemic stroke in women with migraine: a consensus statement from the European Headache Federation (EHF) and the European Society of Contraception and Reproductive Health (ESC). The Journal of Headache and Pain. 2018. Os valores de risco absoluto citados aqui são os da correção publicada; a versão original foi retratada pelos autores por erro de cálculo. https://doi.org/10.1186/s10194-018-0912-9 ↩ ↩2
-
Adelborg K, et al. Migraine and risk of cardiovascular diseases: Danish population based matched cohort study. BMJ. 2018. https://doi.org/10.1136/bmj.k96 ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Timm FP, et al. Migraine and risk of perioperative ischemic stroke and hospital readmission: hospital based registry study. BMJ. 2017. https://doi.org/10.1136/bmj.i6635 ↩ ↩2 ↩3
-
Schürks M, et al. Migraine and cardiovascular disease: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2009. https://doi.org/10.1136/bmj.b3914 ↩ ↩2
-
Etminan M, et al. Risk of ischaemic stroke in people with migraine: systematic review and meta-analysis of observational studies. BMJ. 2005. https://doi.org/10.1136/bmj.38302.504063.8F ↩ ↩2
-
Dudukina E, et al. Risk of stroke, myocardial infarction, coronary intervention, and atrial fibrillation or flutter in individuals experiencing typical migraine aura without headache: a Danish registry-based cohort study. International Journal of Epidemiology. 2025. https://doi.org/10.1093/ije/dyaf079 ↩ ↩2
-
Lantz M, et al. Migraine and risk of stroke: a national population-based twin study. Brain. 2017. https://doi.org/10.1093/brain/awx223 ↩ ↩2
-
Malik R, et al. Shared genetic basis for migraine and ischemic stroke: A genome-wide analysis of common variants. Neurology. 2015. https://doi.org/10.1212/wnl.0000000000001606 ↩ ↩2
-
Sacco S, et al. Hormonal contraceptives and risk of ischemic stroke in women with migraine: a consensus statement from the European Headache Federation (EHF) and the European Society of Contraception and Reproductive Health (ESC). The Journal of Headache and Pain. 2017. https://doi.org/10.1186/s10194-017-0815-1 ↩ ↩2 ↩3
-
Yonis H, et al. Stroke and myocardial infarction with contemporary hormonal contraception: real-world, nationwide, prospective cohort study. BMJ. 2025. https://doi.org/10.1136/bmj-2024-082801 ↩ ↩2
-
Letnar G, et al. Risk of Stroke in Women Using Levonorgestrel-Releasing Intrauterine Device for Contraception. Stroke. 2024. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.124.047438 ↩ ↩2
-
Letnar G, et al. Ischemic Stroke in Users of Combined Hormonal Contraceptives: A Danish Registry Study. Stroke. 2025. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.124.049252 ↩
-
Gibbs LR, et al. Combined Oral Contraceptives and Stroke Risk in Individuals With Migraine With Aura. Obstetrics & Gynecology. 2026. https://doi.org/10.1097/AOG.0000000000006306 ↩
-
Scutelnic A, et al. Field-testing the explicit diagnostic criteria for transient ischemic attack: a diagnostic accuracy study. Journal of Neurology. 2025. https://doi.org/10.1007/s00415-024-12733-2 ↩
-
Dolmans LS, et al. Diagnostic Accuracy of the Explicit Diagnostic Criteria for Transient Ischemic Attack. Stroke. 2019. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.119.025626 ↩
-
Whiteley WN, et al. Clinical Diagnosis and Magnetic Resonance Imaging in Patients With Transient and Minor Neurological Symptoms: A Prospective Cohort Study. Stroke. 2022. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.122.039082 ↩




