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Magnésio: o que é, para que serve e qual tipo escolher

O que o magnésio faz no corpo, para que serve de verdade segundo a evidência, no que os tipos diferem e por que um exame normal não descarta a falta.

Pedra mineral escura com uma pequena face de cristal claro exposta na superfície, ao lado de um pratinho de vidro com poucos grãos do mesmo cristal

O magnésio é um mineral que o corpo põe para trabalhar em mais de 300 reações enzimáticas, entre elas praticamente todas as que dependem de ATP, a molécula que carrega energia dentro das células.1,2 Ele entra na contração e no relaxamento muscular, na condução dos impulsos nervosos, na formação do osso, no ritmo do coração e na síntese de DNA e de proteínas.1

Vou direto à pergunta que traz a maioria das pessoas até aqui: o magnésio serve para muita coisa porque falta em muita gente. Essa frase é a ideia central do texto. O maior benefício comprovado de suplementar não é um efeito extra que ele acrescenta a um corpo já saudável. É a correção de uma carência que costuma passar despercebida, inclusive no exame de sangue. Quando você lê que o magnésio “melhora o sono, a ansiedade, a cãibra, a memória e a pressão”, boa parte disso é uma coisa só descrita de sete jeitos: um mineral que estava faltando voltou.

Este texto é a porta de entrada do assunto. Define o que é o magnésio, mostra para que serve organizado por força de evidência, monta o mapa das formas que existem na farmácia e diz de quem ele exige cuidado. Cada tema que rende conversa longa tem um texto próprio, linkado no lugar certo.

O que é o magnésio, afinal?

É o quarto cátion mais abundante do corpo humano, e o segundo mais abundante dentro das células, atrás só do potássio.1,3 Um adulto carrega algo em torno de 24 a 25 gramas dele.1,3

Um número explica quase tudo o que vem depois: mais de 99% desse magnésio fica fora da corrente sanguínea. A maior parte está no osso, entre 50% e 60%, e outra fatia grande está no músculo, perto de 27%. No soro, que é o que o exame de sangue mede, sobram 0,3%.4,1

Guarde esse 0,3%. Ele volta mais adiante, e é a razão pela qual um exame de magnésio “normal” não é a palavra final.

Dentro da célula, o magnésio faz três coisas fundamentais.

Primeiro, ele liga a energia. O ATP só é biologicamente ativo quando está acoplado ao magnésio, na forma do complexo Mg-ATP.1,2 Sem magnésio, a molécula de energia da célula não é ativada.

Segundo, ele segura o cálcio. Competindo com o cálcio pelos mesmos sítios, o magnésio funciona como um antagonista natural dele.1 Se o cálcio é o sinal de “contrai, dispara, ativa”, o magnésio é o contrapeso. É daí que vem a fama de relaxante muscular, e trata-se de um mecanismo real, não de marketing.

Terceiro, ele acalma o neurônio. No cérebro, o magnésio bloqueia por fora o canal do receptor NMDA, um dos principais receptores excitatórios.2 Por isso a falta de magnésio se manifesta como excitabilidade: tremor, cãibra, irritabilidade, sono ruim.

Magnésio para que serve? O que a evidência sustenta, e o que não sustenta

Aqui a conversa precisa ser franca, porque a distância entre o rótulo e o estudo é grande. Vou do mais firme ao mais frágil.

O terreno mais sólido, e ironicamente o menos divulgado como “benefício”, é o efeito laxativo. O magnésio que não é absorvido puxa água para dentro do intestino por efeito osmótico.5 Em crianças com constipação crônica, o óxido de magnésio melhorou o quadro num ensaio clínico randomizado.6 Qual forma solta o intestino e qual não solta está no texto sobre magnésio para o intestino.

Na pressão arterial o efeito é real, mas modesto. Uma meta-análise de ensaios clínicos encontrou uma queda de poucos milímetros de mercúrio com a suplementação.7 Serve como coadjuvante, não como substituto do remédio de pressão. Detalhes em magnésio para pressão alta.

No risco metabólico, uma ingestão maior de magnésio se associa a menor risco de diabetes tipo 2 em estudos de coorte.8 Repare no “associa”: é observação de população, não prova de que tomar cápsula previna diabetes.

A enxaqueca é onde eu mais uso magnésio na neurologia, e tem literatura própria. O que os estudos mostram, o mecanismo e as formas estão em magnésio para enxaqueca.

Para sono e ansiedade, o mecanismo é plausível, mas a evidência humana é fraca. A revisão sistemática sobre ansiedade achou um sinal sugestivo, e ao mesmo tempo classificou a qualidade dos estudos como pobre e o resultado como inconclusivo.9 Onde parece ajudar mais é em quem já estava com o magnésio baixo. Aprofundo em magnésio para dormir e magnésio para ansiedade.

Em memória e cognição, o encanto todo vem de estudos em roedor e em célula. Na ponte para humanos existe basicamente um ensaio clínico, pequeno, com o magnésio L-treonato.10 Dizer isso é mais útil do que repetir a propaganda: veja magnésio para memória.

Na cãibra eu preciso contrariar a crença popular. Uma revisão Cochrane concluiu que o magnésio é provavelmente ineficaz para cãibra muscular na população geral e em idosos.11 Não quer dizer que ninguém melhore, quer dizer que, no conjunto dos estudos, o efeito não apareceu. Trato disso em magnésio para cãibra.

E o emagrecimento: não. Duas meta-análises dedicadas a medidas de obesidade não encontraram efeito do magnésio sobre peso, índice de massa corporal ou circunferência.12 Por que o mito existe e o que o mineral realmente faz no metabolismo está em magnésio para emagrecer.

Repare no padrão. Onde o magnésio ganha com folga é onde ele corrige uma falta ou age por um mecanismo físico direto. Onde é vendido como potencializador de um corpo já saudável, a evidência esfria.

Tipos de magnésio: o mapa das formas

Esta é a dúvida que mais trava gente no corredor da farmácia, e é onde a internet mais erra. Antes do mapa, preciso desmontar duas ideias que se repetem por toda parte.

A primeira: “orgânico é melhor que inorgânico”. Não é bem assim. Numa revisão sistemática de biodisponibilidade, o cloreto de magnésio, que é inorgânico, teve absorção equivalente à dos sais orgânicos, na faixa de 9% a 11% da dose. Quem ficou para trás, sozinho, foi o óxido, com cerca de 4%.13 A divisão que o dado sustenta não é “orgânico contra inorgânico”. É óxido contra quase todo o resto.

A segunda: existe uma tabela científica de “forma X para o problema Y”. Não existe. Todos esses estudos comparam quanto do mineral entra no corpo, não o que ele resolve depois. A revisão sistemática mais recente do tema varreu 433 estudos, reteve 14 e excluiu de propósito qualquer trabalho sobre eficácia clínica.13 Ou seja, a literatura que compara formas é literatura de absorção. A associação “essa forma é a do sono, aquela é a da memória” é inferência e hábito de mercado, não resultado de ensaio comparativo.

Dito isso, o mapa útil é este:

A coluna da direita reflete o uso corrente e a tolerância na prática, não eficácia comparada comprovada.

FormaO que há de dado humano sobre absorçãoUso mais comum na prática
ÓxidoO mais fraco: cerca de 4% da dose.13 Num estudo, o aumento no sangue não se distinguiu do placebo14Laxante, e é aí que ele é bom
CitratoSuperou o óxido em ensaios humanos15,13Reposição, com efeito intestinal dose-dependente
Cloreto9% a 11% da dose, equivalente aos orgânicos13Muito popular no Brasil, inclusive o “PA”
Bisglicinato (quelato)Sem dado comparativo humano nessas revisões13Escolhido por tolerar melhor no estômago
DimalatoSem estudo humano de desfecho próprio13Vendido para fadiga e disposição
TreonatoA revisão buscou por ele e não achou estudo elegível13Vendido para cognição, com base pré-clínica
TauratoSó dado em animais13Vendido com apelo cardiovascular
Blends e combinaçõesNenhum dado próprio da combinação”Cobre tudo”, que é argumento de marketing

Duas observações mudam a leitura dessa tabela.

A primeira é que solubilidade importa mais que a quantidade no rótulo. Num estudo, um suplemento com 196 mg de magnésio elementar elevou mais o magnésio no sangue do que outro com 450 mg, porque o primeiro era mais solúvel.14 Mais que o dobro de mineral no comprimido, e menos magnésio chegando. Faz sentido no corpo: o que não dissolve não atravessa. É por isso que o óxido rende pouco por via sistêmica e rende bem no intestino.

A segunda é que o nome do sal no rótulo não garante o produto. Nesse mesmo trabalho, dois suplementos de citrato tiveram desempenho ruim nos testes de liberação, o que mostra que a fabricação pesa junto com a química.14

E uma nota que raramente aparece: os dois estudos que encontraram vantagem para um produto específico foram financiados pelo fabricante daquele produto.14,15 Isso não invalida os resultados, mas entra na conta de quem lê.

Falta um detalhe clínico. Em idosos e em quem usa inibidor de bomba de prótons para refluxo, a acidez do estômago cai. Como o óxido depende de acidez para dissolver, nessas pessoas as formas mais solúveis fazem mais diferença do que fariam em outra.13

Falta de magnésio: por que um exame normal não descarta

Volte ao 0,3%. Se apenas essa fração do magnésio do corpo circula no sangue, medir o sangue diz pouco sobre o estoque.

E o corpo trabalha ativamente para que esse número pareça bom. Quando a ingestão cai, o osso libera magnésio devagar para manter o nível no sangue dentro da faixa.4,3 O resultado é uma pessoa com o estoque corporal baixando enquanto o exame permanece dentro do valor de referência, quase sempre na parte de baixo dele. É o que se chama de deficiência crônica latente.4

Há um problema adicional, que vem da origem do teste. A faixa de referência usada até hoje veio da distribuição estatística de uma população americana medida em 1974, e não da relação entre magnésio e desfechos de saúde.4 Traduzindo: o “normal” do laboratório descreve o que as pessoas daquela amostra tinham, não o que faz bem. Foi por esse motivo que um grupo de pesquisadores propôs elevar o corte para 0,85 mmol/L.4

Aqui cabe uma ressalva de transparência: o encontro científico que originou essa proposta foi financiado, entre outros, por fabricantes de suplementos de magnésio.4 O argumento se sustenta por si, mas continua sendo uma proposta em discussão, não um consenso já adotado. E as faixas de referência variam de artigo para artigo e de laboratório para laboratório, o que por si só mostra que o assunto não está fechado.1,2

Na prática, o que isso significa para você é simples. Um magnésio sérico normal não fecha a questão; um magnésio sérico baixo é um achado importante e merece investigação. Um exemplo concreto e bem documentado: cerca de 80% dos hipertensos tratados por pelo menos seis meses com hidroclorotiazida mostraram depleção de magnésio em teste de sobrecarga, mesmo com o magnésio no sangue em valores normais e até altos.3,16

Quanto à frequência disso, os números pedem cautela. Estimativas apontam que 10% a 30% de populações consideradas saudáveis têm magnésio sérico abaixo dos cortes usuais.4,3 Existe um dado brasileiro, com universitários aparentemente saudáveis, em que 42% tinham status subnormal.3 É uma citação de segunda mão e um recorte específico, então funciona como sinal de alerta, não como retrato do país.

Os sintomas que costumam acompanhar a falta são inespecíficos no começo: perda de apetite, náusea, fadiga, fraqueza. Conforme piora, aparecem formigamento, contrações musculares, cãibra, alterações de humor e de ritmo cardíaco.1,17 Detalho isso em falta de magnésio: sintomas.

Quanto magnésio a gente precisa, e de onde ele vem

A referência europeia é de 350 mg por dia para homens adultos e 300 mg para mulheres adultas.18

Só que há um detalhe conceitual que muda a leitura desse número, e quase ninguém conta. O painel científico europeu declarou que não conseguiu estabelecer a necessidade fisiológica de magnésio, por falta de um marcador confiável de status. Então, em vez de calcular quanto o corpo precisa, descreveu quanto populações saudáveis da Europa efetivamente comem, e adotou isso como referência.18 É um valor observado, não um valor de necessidade.

Por que isso importa? Análises de balanço sugerem que o equilíbrio de magnésio pode ser alcançado com uma ingestão em torno de 165 mg por dia.18 A distância entre 165 e 350 explica por que tanta gente aparece como “abaixo do recomendado” em pesquisas de consumo sem estar doente. Ficar abaixo da referência não é o mesmo que ter deficiência.

Isso também pede cuidado com as estatísticas alarmantes que circulam. No estudo espanhol mais citado, 72% da população ficou abaixo de 80% da referência europeia. Só que 73% da amostra foi classificada como tendo subnotificado o que comeu; entre os que reportaram de forma plausível, o déficit caiu para 40%.19 O número muda conforme quem você conta.

O caminho que eu prefiro continua sendo o mesmo: comida primeiro. As fontes principais são oleaginosas, grãos integrais, vegetais verdes, leguminosas, peixes e frutos do mar, além de cacau. E a água, de torneira ou mineral, contribui mais do que as pessoas imaginam.18 A lista prática está em alimentos ricos em magnésio.

Um detalhe da farmacologia ajuda a entender a suplementação: a fração absorvida cai conforme a dose aumenta. Num experimento clássico, a porcentagem absorvida despencou de 65% para 11% à medida que a dose subia, ainda que o total absorvido aumentasse.13 É a razão pela qual dividir a dose ao longo do dia costuma fazer mais sentido do que tomar tudo de uma vez, assunto de como tomar magnésio.

Magnésio faz mal? A segurança, dita de frente

Em quem tem função renal normal, o magnésio da alimentação é seguro. Não há relato de sobrecarga causada por comida, porque o rim elimina o excesso pela urina com eficiência.20

O risco real está no rim. O excesso de magnésio no sangue aparece sobretudo em quem tem função renal reduzida.20,21 Os níveis só começam a subir quando a filtração cai abaixo de cerca de 30 mL/min, e, com filtração muito baixa, a recomendação clássica é evitar preparações com magnésio.21 Em pacientes internados com insuficiência renal, estima-se que 10% a 15% desenvolvam magnésio alto.20

Daí a regra prática: se você tem doença renal crônica, magnésio não é item de compra por conta própria. Precisa ser decidido e monitorado por quem acompanha o seu rim.

Duas situações menos óbvias merecem atenção. Uma são os laxantes e antiácidos que contêm magnésio, a fonte iatrogênica clássica de sobrecarga; em quem tem o rim comprometido, isso pode acontecer em poucos dias de uso.20,21 A outra são os idosos com intestino lento ou constipação, que podem acumular magnésio mesmo com o rim funcionando, porque absorvem mais e eliminam menos pelas fezes.20

Sobre o desconforto mais comum na prática, o intestino solto, o mecanismo é o mesmo do efeito laxativo: magnésio que não foi absorvido puxa água para o lúmen.5 É mais provável com as formas menos absorvidas e com doses maiores de uma vez só.

Remédios que gastam o seu magnésio

Este é o ponto que quase nunca aparece nos textos sobre magnésio, e é o que mais me faz pedir o exame. Vários medicamentos de uso contínuo levam magnésio embora.16

Os inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol) interferem no transporte ativo de magnésio no intestino. O sinal é reconhecido a ponto de a agência regulatória americana ter publicado um alerta de segurança sobre isso em 2011.16

Os diuréticos, tanto os tiazídicos quanto os de alça, aumentam a perda pela urina. Com tiazídico, o magnésio no sangue cai em média de 5% a 10%, e a depleção celular é bem mais frequente que isso.16

E há um grupo por toxicidade renal ou por reduzirem a reabsorção no túbulo: aminoglicosídeos, cisplatina, ciclosporina e tacrolimo, cetuximabe.16

Se você usa algum desses de forma contínua, o magnésio deixa de ser curiosidade de suplemento e passa a ser algo a conversar na consulta.

O que eu vejo no consultório

Eu não acreditava muito em magnésio. Fui estudar, comecei a indicar, e hoje é dos suplementos que mais vejo resolver alguma coisa de verdade. Mas resolver o quê é a parte que importa. A cãibra é a queixa que mais me faz lembrar dele, e quem começa por cãibra muitas vezes volta dizendo que dormiu melhor. Uso também na prevenção de enxaqueca, junto com coenzima Q10 e riboflavina. Não é o suplemento que serve para tudo. É um mineral que, quando falta, faz falta em vários lugares ao mesmo tempo, e é por isso que ele parece resolver tudo.

Quando indico, indico glicinato, quase sempre manipulado, dividido em duas tomadas depois das refeições. Começo um pouco mais alto no primeiro mês e depois diminuo. Não é porque o glicinato tenha estudo provando que funciona mais que os outros, porque não tem. É porque ele cai melhor no estômago, e o magnésio que a pessoa não tolera é o magnésio que ela para de tomar.

O efeito colateral eu falo antes de a pessoa sair da sala: pode soltar o intestino. Não é comum na dose que costumo usar, mas acontece, e quase ninguém é avisado disso quando compra por conta própria. Quem sente não precisa abandonar. Na maioria das vezes basta tirar a tomada do almoço e ficar só com a da noite. Vejo muita gente que largou o magnésio por causa disso e ficou com a ideia de que não pode tomar.

E o efeito não é um “interruptor”. A cãibra costuma ser a primeira coisa a ceder, às vezes em poucos dias. O resto pede algumas semanas.

Em resumo

O magnésio é um mineral de trabalho, presente em mais de 300 reações do corpo, com papel especial em energia, músculo e sistema nervoso. Suplementar tem base sólida para o efeito intestinal, base razoável e modesta para pressão e risco metabólico, e base fraca para cãibra, peso, sono, ansiedade e memória. Entre as formas, o que está comprovado é a diferença de absorção, com o óxido isolado na base, e não uma correspondência entre forma e doença. E o ponto que amarra tudo: a maior parte do que se atribui ao magnésio é o efeito de corrigir uma falta que o exame de sangue tende a esconder.

Se você toma magnésio por conta própria e não sabe se faz sentido no seu caso, ou se usa algum remédio contínuo dos que aparecem ali em cima, converse comigo pelo WhatsApp e a gente avalia com calma, olhando os seus exames e o que você já usa.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor tipo de magnésio?

Não existe um melhor absoluto, e essa é a resposta honesta. Os estudos que comparam as formas de magnésio medem quanto do mineral é absorvido, não o que cada forma resolve.13 O que o dado sustenta é simples: o óxido é o pior absorvido, com cerca de 4% da dose, enquanto citrato, cloreto e os demais ficam numa faixa bem melhor e parecida entre si.13 Na prática, a escolha se guia pelo objetivo e pela tolerância. Quem quer efeito no intestino se dá bem com óxido ou citrato; quem passa mal do estômago com um sal costuma tolerar melhor os quelatos. O que serve para o seu caso, quem define é o médico ou o nutricionista.

Meu exame de magnésio deu normal. Quer dizer que não falta magnésio?

Não necessariamente. Só 0,3% do magnésio do corpo circula no sangue, porque mais de 99% está no osso, no músculo e nos tecidos.4 Quando a ingestão cai, o osso vai liberando magnésio devagar justamente para segurar o nível sanguíneo dentro da faixa, e isso pode manter o exame normal enquanto o estoque do corpo diminui.4 Some a isso um detalhe da origem do teste: a faixa de referência dos laboratórios veio da distribuição estatística de uma população medida em 1974, e não da relação entre magnésio e desfechos de saúde.4 Um resultado normal, portanto, não fecha a questão. Já um resultado baixo é um achado que merece investigação.

Quem não pode tomar magnésio?

Quem exige mais cuidado é quem tem doença renal. O excesso de magnésio no sangue aparece quase sempre em pessoas com a função dos rins reduzida, porque é o rim que elimina o que sobra.20,21 Por isso, quem tem doença renal crônica não deve iniciar magnésio por conta própria, e sim com acompanhamento de quem cuida do rim. Idosos com intestino lento também merecem atenção, porque podem acumular magnésio mesmo com os rins funcionando.20 E quem usa laxantes ou antiácidos que contêm magnésio precisa lembrar que já está recebendo uma dose por essa via.20

Magnésio dá diarreia?

Pode dar, pelo mesmo motivo que faz do magnésio um laxante: a parte que não é absorvida puxa água para dentro do intestino.5 O efeito é mais provável com as formas menos absorvidas, como o óxido, e com doses grandes tomadas de uma vez só. Mas quem sente esse desconforto nem sempre precisa abandonar o magnésio. Dividir a dose ao longo do dia ou trocar por uma forma mais bem tolerada costuma resolver, e essa é uma conversa para ter com quem prescreveu.

Magnésio emagrece?

Não. Duas meta-análises de ensaios clínicos feitas justamente sobre medidas de obesidade não encontraram efeito do magnésio no peso, no índice de massa corporal ou na circunferência abdominal.12 O que existe é outra coisa, indireta: a deficiência de magnésio piora a resistência à insulina, e populações com maior ingestão do mineral têm menor risco de diabetes tipo 2.8 Isso é bem diferente de dizer que tomar magnésio faz perder peso, e quem usa o suplemento com essa expectativa costuma se frustrar.

Quanto tempo o magnésio leva para fazer efeito?

Não é um interruptor. Quando há uma carência sendo corrigida, a mudança vem aos poucos, e o tempo depende do que se está tratando e da própria pessoa. Se em poucos dias nada mudou, não quer dizer que não vá funcionar. Por outro lado, semanas de uso sem nenhuma diferença são um bom motivo para rever se o magnésio era mesmo o que faltava, em vez de simplesmente aumentar a dose por conta própria.


Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica individualizada. Nenhuma informação aqui é prescrição: qualquer uso ou dose de magnésio deve ser avaliado com o seu médico ou nutricionista.

Referências

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Dr. Jonas Bernardes

Dr. Jonas Bernardes

Neurologia Clínica · CRM-SP 150216 · RQE 108175

Neurologista em Jaú/SP, dedicado ao diagnóstico e tratamento das doenças do sistema nervoso. Escreve para traduzir o que a neurologia sabe em decisões práticas de saúde. Atende presencialmente e por teleconsulta.

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